catedral-praca-300x184A igreja que está no meio de uma praça ruidosa tem décadas de história. Todos os dias é visitada pelos que trabalham nos arredores para uma rápida oração, ou pelos que querem um conselho ou um pedaço de pão. Suas raízes estão no desejo manifestado em 1912, pela colônia italiana, de erguer um templo em honra de Nossa Senhora do Carmo. Assim, um terreno foi doado e a pedra fundamental lançada em 29 de junho de 1919, pelo Pe. Luiz Capra.

Famílias tradicionais fizeram as primeiras doações e trinta contos de réis arrecadados foram suficientes para construir a igreja até o nível do piso. A generosidade da família Queirós dos Santos permitiu o prosseguimento da construção que consumiu a fortuna de quatrocentos contos de réis e, mais tarde, outras famílias e associações religiosas financiaram as capelas laterais e os vitrais. Os profissionais de medicina e farmácia doaram o mecanismo do relógio da torre, inaugurado no Natal de 1946 e, pelas mãos dos irmãos Bastiglia, as paredes, os altares e a capela-mor receberam a decoração que ficou pronta quando a cidade comemorava seu IV Centenário, em 1954.

catedral-1932-300x137Neste mesmo ano, foi demembrado da Arquidiocese de São Paulo o território que atualmente forma a Diocese de Santo André. Com a criação desta nova Igreja Particular, foi feita da Paróquia Nossa Senhora do Carmo a Catedral Diocesana de Santo André. As pinturas da nave central e das paredes laterais foram concluídas em 1957, conforme inscrições deixadas pelos próprios autores.

Em 22 de agosto de 1958, foi feita a Consagração a Deus (Dedicação) da Igreja Catedral, lugar sagrado para o culto divino e celebração dos sacramentos. Por esse motivo, a Festa da Dedicação da Catedral em toda a Diocese é comemorada anualmente a partir desta data.

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Casa Canônica (Paroquial) Praça do Carmo, 36, em1930

Como prescrevem as leis da Igreja, o Pároco deve residir próximo à sua paróquia. Por este motivo, o Reverendíssimo Pe. Carlos Porrini, homem trabalhador e esforçado como seus antecessores percebeu esta necessidade na igreja do Carmo, para estar junto de seus fiéis que começaram a se organizar com muito entusiasmo. No entanto, até então, não havia uma residência fixa para o padre.

Em 1928, foi alugada uma casa, do Sr. Bernardino Queiroz, pelo preço de 160 contos de réis, na Rua Cezário Motta, nº 6, onde o padre residiu durante 18 meses. Em seguida, pensou em erigir a Casa Canônica em terreno adquirido ad hoc pela Prefeitura que recebeu em troca o largo da Matriz, com a condição de ter o mais alto respeito às funções religiosas e do embelezamento do mesmo largo.

O Revmo. Pe. Carlos contratou para administrar a construção o Sr. José Pessolo e o Sr. Arverino Novella. O Sr. Saladino C. Franco doou 10 mil tijolos para construção da Casa, as ofertas alcançaram a soma de 2:257.100 contos de réis; o total de gastos foi de 50:522.600 contos de réis. Ao apresentar o balancete à Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Arcebispo de São Paulo, percebendo a motivação e empenho da Comissão Executiva, ordenou que se unisse em uma só administração a Construção da nova Igreja e da Casa Canônica, na Praça do Carmo.

Quase 25 anos depois da construção da residência do Pároco, foi criada a Diocese de Santo André, desmembrada da Arquidiocese de São Paulo, pela Bula do Papa Pio XII, em 1954. A Igreja Nossa Senhora do Carmo, cheia de andaimes internos usados na finalização da pintura, passa a ser a Catedral Diocesana, além de Paróquia. Com a chegada do primeiro Bispo da Diocese, Dom Jorge Marcos de Oliveira, que tomou posse no dia 12 de setembro de 1954, foi feita a transferência da residência para uso da Diocese. A casa Paroquial em absoluto abandono, mostrava-se sem mobília, necessitando uma grande reforma para poder servir como residência. A Casa Canônica passa a ser Residência Episcopal, em 1954.

Parte do Salão Paroquial, um pavilhão de 15 metros de altura, foi dividida em dois pisos: um salão de teatro no primeiro e salas no segundo. À Cúria caberia o segundo piso com uma área de 181 metros quadrados. Suas paredes de cimento bruto caiado de branco e caiação coberta de pó, o chão de cimento grosso, poroso e esburacado. Tudo havia sido aproveitado de outros lugares, janelas e portas vieram dos consertos da futura Catedral.

O Pároco da Catedral morou por algum tempo junto com o Bispo, enquanto se construia alguns cômodos em cima da sacristia, nos fundos da igreja. Daí em diante, o Pároco passou a residir na própria igreja até novembro de 2005. Tendo em vista a necessidade de uma residência digna, o Conselho Administrativo Paroquial, com incentivo do então pároco, o Revmo. Pe. Manuel Parrado Carral, no ano 2000, começou a constituir um fundo financeiro para a compra de um apartamento próximo à Catedral. O imóvel situado à Rua Siqueira Campos foi adquirido cinco anos depois, pelo Revmo. Pe. Décio Rocco Gruppi, então Cura da Catedral, com a aprovação do Conselho Administrativo Paroquial.